Educação Evasão Escolar
Pobreza, raça e o custo de R$ 66 Bilhões com a evasão escolar no Brasil
Estudo inédito revela que mais de um terço da população adulta do país não concluiu a educação básica, afetando diretamente a economia e a desigualdade social
08/07/2026 08h59
Por: Eduardo Silva

O Brasil possui atualmente 64 milhões de jovens e adultos que estão fora da escola e não concluíram a educação básica por terem abandonado os estudos até o ensino médio. Esse expressivo montante equivale a 37% de toda a população brasileira com mais de 15 anos de idade. Os dados constam em um estudo lançado pela Rede EJA e Inclusão Produtiva, com o apoio técnico da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

O levantamento joga luz sobre o perfil desse contingente, revelando que a população sem diploma de ensino médio e que não está estudando é predominantemente negra, correspondendo a 64% do total. Além disso, dentro desse grupo de 64 milhões de brasileiros, a taxa de pobreza é 1,8 vez maior em comparação à daqueles que completaram a educação básica, enquanto a renda familiar média cai pela metade.

O impacto desse cenário vai além do âmbito social e atinge fortemente a economia do país, gerando uma perda anual de R$ 66 bilhões ao Brasil devido à falta de estudo na educação básica. Esse prejuízo é calculado tanto pela queda na renda individual dessas pessoas quanto pela escassez de mão de obra qualificada no mercado de trabalho.

De acordo com os pesquisadores, elevar o nível educacional da população tem o potencial direto de gerar ganhos anuais de dezenas de bilhões de reais na massa salarial, além de ter a capacidade de retirar cerca de 1,2 milhão de pessoas da condição de pobreza e reduzir significativamente a desigualdade social no território nacional.

A Rede EJA e Inclusão Produtiva é uma organização não-governamental formada a partir do trabalho conjunto de uma série de entidades de peso, a exemplo da Fundação Bradesco, do Todos pela Educação, da Unesco e da Unicef. Os representantes da rede apontam que existe uma demanda potencial enorme para a educação de jovens e adultos que a política pública e a oferta atual não estão conseguindo transformar em acesso, permanência e conclusão de fato.

Especialistas da área defendem que não basta apenas abrir vagas nas escolas, mas sim implementar estratégias robustas como a busca ativa de alunos, a criação de um currículo conectado à vida adulta, a preparação de professores específicos para essa modalidade, o apoio financeiro e social para a permanência na escola e um vínculo visível entre o estudo, o trabalho e a geração de renda.