Detalhes sobre a tentativa de sequestro de uma recém-nascida registrada na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina, vieram à tona nesta terça-feira (7). A responsável por impedir que a bebê fosse levada da unidade foi a tia da criança, Daniela Marcos, que contou, em vídeo divulgado nas redes sociais, como percebeu a ação da suspeita.
Segundo Daniela, a mulher se apresentou como enfermeira e utilizava vestimentas semelhantes às dos profissionais da maternidade. Ela informou à família que levaria a recém-nascida para agilizar a realização dos testes do pezinho e da orelhinha, o que fez com que a criança fosse entregue sem despertar suspeitas.
A familiar, no entanto, estranhou o comportamento da suposta profissional ao perceber que ela entrou em um banheiro da unidade. Pouco depois, a mulher reapareceu usando roupas diferentes, com os cabelos soltos e óculos, caminhando em direção à saída da maternidade.
Foi nesse momento que Daniela decidiu abordá-la. Ao notar que a suspeita carregava uma bolsa parcialmente fechada, abriu o compartimento e encontrou a recém-nascida em seu interior.
"Ela já estava saindo com a bolsa. Perguntei se ela realmente trabalhava ali. Quando abri o zíper, vi minha sobrinha bem quietinha dentro da bolsa", relatou.
A tia afirmou ainda suspeitar que a bebê possa ter recebido alguma substância para permanecer em silêncio durante a ação, já que, segundo ela, a criança apresentava cólicas antes do ocorrido. Essa hipótese, no entanto, ainda não foi confirmada e deverá ser apurada pelas autoridades responsáveis pela investigação.
Após retirar a menina da bolsa, Daniela pediu ajuda e acionou a equipe de segurança da maternidade. Ela também levantou a possibilidade de que a suspeita tenha contado com o apoio de alguém que trabalharia na unidade, informação que também será investigada pela Polícia Civil.
Em nota oficial, a Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa informou que registrou uma ocorrência envolvendo uma tentativa de retirada irregular de um recém-nascido e afirmou que os protocolos internos de segurança permitiram identificar rapidamente a situação e impedir que a ação fosse concluída.
A direção da unidade informou ainda que comunicou imediatamente o caso às autoridades competentes e que está colaborando com as investigações. Segundo a maternidade, as circunstâncias da ocorrência ainda estão sendo apuradas e, por esse motivo, não serão divulgadas informações que possam comprometer o trabalho policial.
A instituição ressaltou que os protocolos de controle de acesso e vigilância demonstraram efetividade ao impedir que a tentativa tivesse êxito.
Apesar da nota divulgada pela maternidade, Daniela afirmou que não recebeu o apoio esperado da instituição após o ocorrido. Segundo ela, a prioridade da unidade teria sido minimizar a repercussão do caso.
A familiar também contestou a terminologia utilizada pela maternidade, que classificou o episódio como uma "tentativa de retirada irregular" de um recém-nascido.
"Se eu entreguei a criança para fazer um exame, a mulher colocou a bebê dentro de uma bolsa, trocou de roupa e já estava saindo da maternidade. Isso não é sequestro?", questionou.
O caso segue sob investigação das autoridades, que trabalham para esclarecer todas as circunstâncias da ocorrência e identificar possíveis envolvidos.