Agricultura Anticorpos
“Língua eletrônica” brasileira detecta anticorpos da gripe aviária em seis minutos
Dispositivo desenvolvido por cientistas da USP alcançou 99% de precisão nos testes e promete otimizar o monitoramento sanitário na avicultura e na saúde humana
05/07/2026 05h38
Por: Vanilson Brito

Pesquisadores brasileiros desenvolveram um dispositivo inovador, apelidado de “língua eletrônica”, capaz de detectar anticorpos contra o vírus H5N1, causador da gripe aviária, em aproximadamente seis minutos. O equipamento, que alcançou cerca de 99% de precisão nos testes, destaca-se por sua capacidade de evitar falsos positivos quando exposto a anticorpos de outras enfermidades aviárias comuns. O estudo foi publicado na revista científica ACS Applied Nano Materials e coordenado por Osvaldo Novais de Oliveira Junior, professor do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP).

O sistema funciona de forma semelhante às papilas gustativas humanas, utilizando múltiplos sensores produzidos com materiais de baixo custo e fontes renováveis para analisar características das amostras. Quando os sensores entram em contato com os anticorpos da gripe aviária, ocorrem alterações elétricas que são capturadas por um analisador portátil da startup nacional Blatron. Na sequência, esses dados são interpretados e validados por meio de algoritmos de inteligência artificial e aprendizado de máquina, permitindo diagnosticar a resposta imunológica em tempo recorde se comparado aos métodos laboratoriais convencionais.

A gripe aviária representa uma das maiores preocupações sanitárias e econômicas do mundo. Surtos da doença costumam exigir o abate sanitário de milhões de aves e geram duras restrições comerciais no mercado internacional, impactando toda a cadeia de exportações, transporte e fabricação de ração. Além do dano financeiro, o monitoramento ágil do H5N1 é vital porque o vírus possui potencial para infectar seres humanos e desencadear graves crises globais de saúde pública.

Por ser uma plataforma adaptável, a tecnologia poderá ser configurada futuramente para identificar outros vírus e doenças infecciosas na saúde humana e animal. A expectativa é que o dispositivo seja implementado em clínicas veterinárias, granjas, laboratórios e centros de vigilância. O projeto uniu diferentes tecnologias desenvolvidas no Brasil e contou com a colaboração da Embrapa Instrumentação, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), de instituições internacionais e do apoio financeiro da FAPESP.