João Holanda Neto, de 59 anos, proprietário de uma fazenda em Acopiara, no interior do Ceará, onde a Polícia Civil localizou uma gigantesca plantação com cerca de 290 mil pés de maconha, foi colocado em liberdade nesta sexta-feira (3). Ele havia sido preso temporariamente na tarde de quinta-feira (2) após se apresentar de forma voluntária à delegacia para prestar depoimento sobre o caso. A reviravolta e a subsequente soltura do fazendeiro ocorreram em meio aos argumentos de sua defesa jurídica e de seus familiares, que sustentam que ele não tinha qualquer conhecimento ou participação na atividade ilícita realizada em suas terras.
De acordo com a advogada de defesa, Maria Lopes, e com relatos de parentes do proprietário, o verdadeiro responsável pelo cultivo do entorpecente é Cristiano Rodrigues de Lima, homem que arrendou a área em outubro de 2025, embora o contrato em cartório tenha sido formalizado apenas em janeiro deste ano. A defesa reforça a inocência de João Neto explicando que ele está afastado das atividades de campo para realizar um tratamento contra um câncer de pele e que, desde a assinatura do aluguel, não entrava mais na área de cultivo.
Suas visitas nos últimos meses limitavam-se exclusivamente à entrada da propriedade, onde há uma pequena casa na qual ele guardava um carro velho e outros pertences do sítio, ponto de referência do qual era geograficamente impossível avistar a plantação oculta.
Momentos antes de ter o mandado de prisão de 30 dias cumprido na quinta-feira, João Neto gravou um vídeo dramático que foi divulgado por sua assessoria jurídica. Chorando, o fazendeiro fez um apelo público para que o arrendatário se entregue às autoridades e limpe o nome de sua família, mencionando a relação de extrema confiança que mantinham há uma década e meia. Na gravação, ele desabafa e questiona como o homem, que conhecia a família há mais de 15 anos e tomava café na casa de sua mãe, pôde cometer tal ato, afirmando que jamais teria assinado o contrato se soubesse das reais intenções do inquilino.
A plantação que motivou a investigação havia sido descoberta originalmente pelas forças de segurança no dia 25 de junho, durante uma ação da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS). No local, os agentes contabilizaram cerca de 160 mil pés de maconha em fase de cultivo e outros 130 mil pés já colhidos, totalizando estimadamente 5 toneladas do entorpecente. Além da vasta área de cultivo, a polícia encontrou acampamentos estruturados para o trabalho e a sobrevivência dos criminosos no meio da mata.
Os trabalhadores do tráfico fugiram às pressas com a chegada dos policiais civis, deixando indícios de uma evasão muito recente, como uma panela de feijão ainda cozinhando no fogo.
O caso gerou grande repercussão na região de Acopiara devido ao histórico e à influência da família de João Neto, que é filho da empresária e ex-vereadora Maria Luiza Lima, conhecida publicamente como "Luiza Rufino" ou "Luiza do Posto", candidata a vice-prefeita do município nas eleições de 2024 pelo MDB. Após boatos associarem falsamente o nome da ex-parlamentar ao tráfico nas redes sociais, seu neto Fabrício Holanda publicou um vídeo explicativo que alcançou milhares de visualizações.
A família reforçou a integridade da matriarca, afirmando que ela segue trabalhando e vendendo seu leite com a consciência tranquila, e que todos estão colaborando ativamente com a Polícia Civil para capturar o arrendatário, que continua foragido.