Brasil Bets
MPF investiga governo Lula por suposta omissão na fiscalização de anúncios de 'bets' na Copa de 2026
Inquérito civil foi aberto após denúncias de publicidade abusiva em transmissões esportivas; ministérios, Banco Central e veículos de mídia deverão prestar esclarecimentos
03/07/2026 13h16
Por: Vanilson Brito

A explosão das propagandas de apostas esportivas durante as transmissões dos jogos da Copa do Mundo de 2026 colocou o governo Lula na mira do Ministério Público Federal (MPF). A Procuradoria da República no Distrito Federal informou que abriu um inquérito civil para investigar se o governo federal deixou de regulamentar e fiscalizar adequadamente as propagandas das plataformas de apostas online, as chamadas "bets". De acordo com o órgão, a apuração vai analisar detalhadamente se as ações atuais da União são suficientes para cumprir o que determina a Constituição Federal sobre a publicidade de serviços que possam ser nocivos à saúde e à economia das famílias.

O estopim para o início da investigação foram denúncias sobre supostas propagandas abusivas e enganosas exibidas durante as transmissões da Copa do Mundo na Cazé TV, plataforma de streaming no YouTube. Segundo os relatos que deram origem ao procedimento, a emissora digital teria inclusive incentivado a prática de apostas por meio de sugestões diretas de palpites aos telespectadores durante os jogos. Diante disso, o despacho de abertura do MPF afirma que pretende verificar se houve omissão por parte da União na implementação e na fiscalização das normas previstas na Lei nº 14.790, legislação que foi sancionada em 2023 justamente para disciplinar e organizar o mercado de apostas de quota fixa no país.

Com a instauração do inquérito, os procuradores da República buscam esclarecer quais medidas regulatórias estão sendo utilizadas pelo Executivo para impedir que os anúncios de apostas alcancem menores de idade e outros grupos considerados de alta vulnerabilidade. O Ministério Público também questiona formalmente se o governo estuda aplicar novas restrições para esse tipo de publicidade na mídia. Em comunicado oficial, o MPF destacou que o principal objetivo da ação é garantir a segurança de crianças e adolescentes que assistem a programas e eventos esportivos de amplo apelo popular.

Como parte das primeiras diligências oficiais, a Procuradoria informou que já solicitou informações e esclarecimentos a uma série de órgãos estratégicos. Foram acionados a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) ligada ao Ministério da Justiça, o Banco Central e o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar). Além das entidades reguladoras, o MPF também notificou os veículos de comunicação que transmitiram as partidas do mundial e instituições de ensino e pesquisa para contribuírem com a análise técnica do caso.