O Ceará registrou 12 barragens classificadas com “prioridade máxima” de recuperação em 2025, segundo o mais recente Relatório Anual de Segurança de Barragens (RASB), elaborado pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). O levantamento considera inspeções realizadas em 85 reservatórios e aponta redução em relação a 2024, quando 26 estruturas estavam nesse nível de atenção.
Apesar da classificação, a Cogerh esclarece que “prioridade máxima” não significa risco iminente de rompimento, mas a necessidade de intervenções e manutenção para garantir o funcionamento adequado das estruturas. No período analisado, o número total de anomalias também caiu de 1.745 em 2024 para 1.499 em 2025.
Segundo o gerente substituto da Gerência de Segurança e Infraestrutura (Gesin), Daniel Nunes, o Nível de Prioridade de Recuperação (NPR) é um instrumento interno usado para orientar investimentos em manutenção, enquanto o risco de segurança está relacionado à possibilidade real de acidentes.
“Uma barragem pode entrar como prioridade máxima por um conjunto de pequenas anomalias que não comprometem a estrutura global, mas exigem atenção e manutenção contínua”, explicou.
O relatório aponta que as ocorrências mais comuns estão ligadas à vegetação indevida, processos erosivos e deterioração do concreto. As estruturas de vertedouro concentram o maior número de registros (257), seguidas pelos taludes de jusante (208).
A Bacia Metropolitana lidera em quantidade de anomalias, com 384 registros (25% do total), seguida pelas regiões do Alto Jaguaribe, Coreaú, Banabuiú e Sertão de Crateús. A redução geral, segundo a Cogerh, também foi influenciada pela correção de 307 falhas e pela atualização metodológica do sistema de classificação.
A Companhia passou a utilizar a Matriz GUT (Gravidade, Urgência e Tendência), que avalia cada anomalia em escala de 1 a 5. Pela nova regra, uma barragem entra em prioridade máxima quando apresenta uma falha com gravidade igual ou superior a 4 ou quando a soma das anomalias ultrapassa 40 pontos.
Com a mudança, a série histórica foi reiniciada para adequação ao novo modelo de gestão de risco.
Entre as estruturas que demandam maior atenção estão Poço Verde, Vieirão, São José I, Jaburu I, Rivaldo de Carvalho e Gameleira, classificadas por anomalias graves. Já Angicos, Batente, Amarelas, Carmina, Missi e Martinópole aparecem no grupo devido ao acúmulo de ocorrências menores.
Em 2025, a Cogerh destinou cerca de R$ 5,7 milhões para ações de segurança de barragens. Entre as intervenções estão a reabilitação do Poço Verde (Itapipoca), com recuperação de taludes e instalação de instrumentos de monitoramento, e obras na Cipoada (Morada Nova) e Trapiá III (Coreaú), voltadas à estabilização estrutural e drenagem.
No campo tecnológico, a Companhia iniciou a automação do monitoramento da barragem Gavião, que agora fornece dados de estabilidade em tempo real, com atualização a cada minuto. O projeto é considerado pioneiro e deve ser expandido para outras estruturas estratégicas.
A Cogerh também avança na elaboração dos Planos de Ação de Emergência (PAEs), que integram a política de segurança de barragens. Os documentos incluem estudos de ruptura, definição de áreas de risco e rotas de evacuação.
Atualmente, apenas as barragens Jaburu I (Ubajara), Jaburu II (Independência) e Do Batalhão (Crateús) possuem planos totalmente concluídos. O Jaburu I é utilizado como projeto piloto para a implementação das ações operacionais em campo, com participação da Defesa Civil e comunidades locais.