Polícia JUSTIÇA
Suspeito de matar campeão de vaquejada Dadá Guedes é indiciado por homicídio qualificado e segue foragido
Polícia concluiu o inquérito e enviou o caso à Justiça do Ceará; viúva da vítima cobra prisão do investigado e diz que família vive à espera de justiça
26/06/2026 10h05
Por: Alline Portela

A Polícia Civil do Ceará concluiu o inquérito que investigava a morte do campeão de vaquejada Francisco Eudázio Lira Soares, conhecido como Dadá Guedes, e indiciou Daniel Teixeira Vitor, o "Sasom Boiadeiro", pelo crime de homicídio qualificado. O suspeito continua foragido desde o assassinato, ocorrido no dia 7 de junho, em Quixeramobim, no Sertão Central do Ceará.

Em nota, a corporação informou que a Delegacia de Polícia Civil de Quixeramobim finalizou as investigações e encaminhou o inquérito ao Poder Judiciário com o indiciamento do investigado.

Enquanto aguarda a prisão do suspeito, a família da vítima segue cobrando justiça. Em entrevista, a viúva de Dadá Guedes, Kamila Oliveira, relembrou os planos interrompidos pelo crime e relatou as dificuldades enfrentadas desde a morte do marido.

"Mudou minha vida totalmente. Nesses seis anos juntos, a gente sempre foi muito unido, compartilhando muita coisa. Sempre era nós dois", afirmou.

Moradores de Milhã, Kamila acompanhava o marido nas competições de vaquejada. No dia do crime, porém, precisou deixar o evento antes do fim por causa de um compromisso marcado para o dia seguinte.

Ela descreveu Dadá como um companheiro dedicado à família e disse que ainda não conseguiu retomar a rotina. Segundo Kamila, desde o assassinato, não voltou a dormir na casa onde vivia com o marido e também interrompeu os atendimentos no salão de beleza. O casal planejava ter filhos.

"Fui poucas vezes e não demorei na minha casa. Não tive forças para trabalhar no meu salão. Quando saio na rua volto logo para casa, pois as pessoas sempre ficam especulando as coisas. Ele sempre foi apaixonado por criança e a gente pretendia ter filhos", contou.

No último fim de semana, familiares e amigos participaram de uma caminhada pedindo justiça e a prisão do suspeito. Após a missa de sétimo dia, celebrada na Igreja Matriz de Milhã, o grupo seguiu até a sede da prefeitura, onde utilizou um carro de som para cobrar providências e afixou cartazes em homenagem à vítima.

"É uma coisa que a gente fica totalmente sem rumo, sem saber o que fazer da vida. Todo dia eu fico no celular tentando buscar respostas para saber se ele vai pagar por esse crime, se a polícia vai conseguir prender ele. A gente quer justiça", declarou Kamila.

Motivação segue sob investigação

Inicialmente, uma testemunha afirmou ao g1 que o crime teria sido motivado por um desentendimento envolvendo a divisão da premiação conquistada por Dadá Guedes em uma vaquejada. Segundo esse relato, o suspeito teria exigido parte do prêmio, apesar de não integrar a equipe do competidor.

A vítima havia conquistado o primeiro lugar na competição e dividido o prêmio de R$ 2 mil com outro competidor, ficando R$ 1 mil para cada um.

A família, no entanto, contesta essa versão. Parentes afirmam que Daniel Teixeira Vitor não tinha qualquer participação na disputa esportiva e acreditam que o homicídio ocorreu por outro motivo, que ainda é investigado pela Polícia Civil.

"Esse cara não tinha nada a ver com a premiação, ele não estava correndo com o Dadá. Ele matou por pura crueldade e a gente quer justiça", afirmou uma parente da vítima, que preferiu não ser identificada.

De acordo com a organização da vaquejada, antes do crime Dadá Guedes participou da cerimônia de entrega dos troféus ao lado dos demais vencedores. No entanto, deixou o local antes de receber o dinheiro da premiação, que foi retirado pelo patrão para ser posteriormente repassado ao vaqueiro.