Internacional Venezuela
Atualização: Terremotos de magnitude 7.5 deixam rastro de mortos, feridos e apagão geral
Fenômeno raro e devastador também foi sentido fortemente no Norte do Brasil, onde prédios em capitais como Manaus e Belém foram evacuados às pressas sob pânico generalizado
25/06/2026 07h37
Por: Vanilson Brito
A Venezuela enfrenta uma das piores catástrofes humanitárias e estruturais de sua história recente após ser atingida por um duplo terremoto de grandes proporções na noite de quarta-feira, 24 de junho. O fenômeno devastador foi caracterizado por uma sequência de dois tremores principais extremamente próximos, com menos de 40 segundos de diferença entre eles, alcançando severas magnitudes de 7.2 e 7.5 na escala Richter. Por ter ocorrido a uma profundidade muito rasa de apenas 13 quilômetros, a liberação de energia causou destruição maciça na superfície e gerou ondas sísmicas que viajaram por milhares de quilômetros pelas placas tectônicas, cruzando a fronteira e assustando moradores de estados da região Norte do Brasil.
 
O balanço oficial provisório divulgado pelas autoridades venezuelanas já contabiliza 32 mortes confirmadas e mais de 700 feridos, concentrados principalmente em distritos da Grande Caracas, como Baruta e Chacao. No entanto, o cenário real pode ser exponencialmente pior. O sistema computadorizado Pager, do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), emitiu um alerta vermelho projetando que o número total de vítimas fatais tem 44% de probabilidade de ficar entre 10 mil e 100 mil mortos, devido à alta vulnerabilidade das habitações locais feitas de alvenaria e blocos de adobe. Diante da tragédia, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência nacional, suspendendo aulas e serviços não essenciais para priorizar as buscas por soterrados, enquanto o mundo aguarda a chegada imediata de equipes de resgate enviadas pelos Estados Unidos, México, El Salvador e Catar.
O epicentro do sismo foi mapeado entre as regiões de Montalbán e Yumare, mas os impactos mais severos em termos de infraestrutura se concentraram no estado costeiro de La Guaira, oficialmente declarado como zona de desastre. Na região, dezenas de edifícios desabaram por completo ao longo da Avenida El Ejército e no complexo habitacional Hugo Chávez, deixando quarteirões cobertos de escombros e esmagando veículos. Paralelamente, o teto do principal terminal aeroportuário do país, o Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetía, desabou parcialmente, forçando a suspensão total de suas operações aéreas. Grande parte de Caracas e cidades vizinhas enfrentam um apagão geral de energia elétrica. Apesar do colapso urbano, inspeções preliminares indicaram que as instalações petrolíferas do país, incluindo a refinaria de El Palito, permaneceram intactas, e a Embaixada do Brasil em Caracas sofreu apenas avarias estruturais leves.
No Brasil, os reflexos do terremoto venezuelano provocaram uma noite de pânico e correria em quatro estados do Norte, embora sem deixar consequências graves. Moradores de edifícios altos em Manaus, Barcelos e Iranduba, no Amazonas, relataram oscilações assustadoras de lustres e objetos decorativos por cerca de dois minutos, forçando evacuações preventivas em bairros da zona centro-sul da capital amazonense. O mesmo cenário de alerta se repetiu em Boa Vista (Roraima), Macapá (Amapá) e em Belém (Pará), onde prédios residenciais nos bairros de Umarizal, Jurunas, Cremação e Pedreira foram esvaziados às pressas pelas escadas de emergência.
Apesar do susto generalizado na população brasileira, a Defesa Civil do Estado do Amazonas e a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) confirmaram na manhã desta quinta-feira que o prejuízo financeiro e físico no país é totalmente nulo. Não há qualquer registro de mortes, feridos, desabamentos ou danos às estruturas urbanas e pontes na Região Norte. Sismólogos da USP explicaram que a percepção dos tremores no Brasil é perfeitamente normal para eventos dessa magnitude, mas tranquilizaram a população ao garantir que não há riscos de danos severos para as cidades brasileiras, mesmo que réplicas menores e secundárias continuem a ser registradas na Venezuela ao longo dos próximos dias.