Educação Teresina-PI
Como a capital do Piauí se tornou a referência nacional em alfabetização e inclusão pelo esporte
Gestão por mérito, monitoramento precoce, alfabetização na idade certa e o uso estratégico do esporte como ferramenta pedagógica consolidam a rede municipal teresinense no topo do país
24/06/2026 14h37 Atualizada há 3 horas
Por: Vanilson Brito

A rede municipal de ensino de Teresina alcançou um feito histórico que a consolida como a principal referência em educação pública do Brasil. Ao registrar a marca de 80,58% de alunos alfabetizados na idade certa no Indicador de Criança Alfabetizada (ICA), a capital do Piauí conquistou o primeiro lugar isolado entre todas as capitais do país.

Longe de ser um resultado do acaso, o sucesso teresinense é o fruto direto de um modelo educacional robusto, estruturado ao longo de anos com base em evidências científicas de aprendizagem e blindado contra as descontinuidades causadas pelas transições políticas. Ao unir planejamento estratégico a metas claras, a Secretaria Municipal de Educação (Semec) transformou a sala de aula em um ambiente de alto rendimento.

O grande motor dessa revolução nas séries iniciais atende pelo nome de Projeto Alfabetiza Teresina, uma política pública focada no acompanhamento diário da leitura e da escrita de cada estudante. Para dar suporte a essa estrutura, a prefeitura investiu massivamente na contratação de assistentes de alfabetização, profissionais que atuam lado a lado com os professores regentes para oferecer atenção individualizada às crianças que apresentam ritmos diferentes de aprendizagem.

Essa engrenagem é sustentada por uma forte cultura de avaliações diagnósticas periódicas e em larga escala, que geram relatórios imediatos e impedem que as dificuldades dos estudantes fiquem escondidas até o final do ano letivo. Complementando o ciclo de eficiência, a cidade adota uma política de gestão por mérito, que premia financeiramente e reconhece os educadores e gestores que superam as metas estipuladas.

Muito além dos livros de gramática e matemática, o modelo de Teresina compreendeu que a formação integral exige ir além da sala de aula tradicional, integrando o esporte como um pilar pedagógico de apoio ao aprendizado. A prática esportiva é utilizada de forma intencional pela Semec para combater a evasão e manter o estudante motivado e assíduo.

O maior símbolo dessa integração são os Jogos Escolares de Teresina (JETs), competição de grande porte que movimenta dezenas de colégios municipais em modalidades que vão do atletismo e natação ao vôlei de praia e judô. Mais do que revelar talentos para as etapas nacionais, os JETs funcionam como uma poderosa ferramenta de engajamento, exigindo disciplina, dedicação e compromisso com o rendimento escolar.

A equidade social e o desenvolvimento cognitivo ganham contornos práticos por meio de projetos específicos na rede de ensino.

Com o Circuito de Xadrez Escolar, por exemplo, o município utiliza o tabuleiro de forma estratégica para estimular o raciocínio lógico, a concentração e a tomada de decisões sob pressão em crianças de todas as idades. Ao mesmo tempo, em regiões periféricas de maior vulnerabilidade socioeconômica, os esportes no contraturno escolar atuam como uma barreira de proteção social, ocupando o tempo ocioso dos jovens e reduzindo os índices de violência urbana.

Esse ecossistema de desenvolvimento se destaca também pelo pioneirismo na acessibilidade, uma vez que a inclusão de alunos com deficiência (PCDs) é assegurada por legislação municipal específica em todas as atividades esportivas da rede municipal.

Contando com professores de educação física qualificados e categorias adaptadas, estudantes cegos, cadeirantes ou com limitações motoras competem de igual para igual com seus colegas. Ao cruzar a meta de alfabetizar a esmagadora maioria de suas crianças enquanto promove cidadania e saúde através do esporte, Teresina desenvolve em nível nacional a excelência na escola pública, uma métrica que vem sendo copiada por municípios e estados brasileiros.