Após o anúncio feito pelo empresário Alexandre Becker, sobre o fechamento de quatro fábricas de calçados de sua propriedade nesta semana, trabalhadores no município de Pentecoste, no interior do Ceará, realizaram uma grande mobilização pública pelas ruas da cidade nesta terça-feira (23). O protesto foi motivado pelo encerramento repentino das atividades da unidade industrial na região. O grupo de manifestantes busca atrair a atenção das autoridades e da opinião pública para exigir o pagamento de valores financeiros pendentes e o cumprimento integral dos direitos trabalhistas assegurados pela legislação vigente.
De acordo com os relatos dos próprios funcionários, a decisão da empresa de fechar as portas pegou dezenas de famílias de surpresa, interrompendo abruptamente a principal fonte de renda de muitos lares. O clima entre os ex-colaboradores é de profunda preocupação e incerteza em relação ao futuro financeiro imediato.
A principal finalidade do ato foi cobrar respostas transparentes da administração da fábrica sobre o pagamento de salários atrasados, verbas de rescisão contratual e liberação de guias trabalhistas, uma vez que, segundo eles, nenhuma previsão de acordo foi apresentada até o momento.
De acordo com o empresário, é um momento de tristeza onde a dificuldade econômica não dá mais condições para a manutenção das fábricas em funcionamento.
"É um momento muito triste. A gente está Pentecoste há mais de 20 anos, passamos por várias crises, pela pandemia. A fábrica trabalhava como terceirizada da Paquetá, que também fechou e, infelizmente, agora a gente chegou no final. Por questões econômicas, não conseguimos mais tocar a fábrica. É um sentimento de pesar a todos os familiares", relatou o empresário.
Além do drama social enfrentado pelas famílias afetadas, o fechamento da fábrica acende um sinal de alerta para a estabilidade econômica de Pentecoste, dado que a indústria calçadista figurava como uma das principais empregadoras do município. Especialistas avaliam que o encerramento de operações desse porte provoca um efeito cascata negativo, reduzindo drasticamente o poder de compra da população, o que tende a enfraquecer o comércio varejista e a circulação de renda em diferentes setores locais.