Justiça “Justiça foi feita”
Sobrevivente de envenenamento e mãe de crianças mortas por ovo de Páscoa relata alívio após condenação de rival
Mirian Lira Rocha, que chegou a ficar internada na UTI, viu a ex-namorada de seu companheiro ser condenada a mais de 66 anos de prisão pelo crime motivado por ciúmes
23/06/2026 13h50
Por: Portal Verdes Campos Sat

A dona de casa Mirian Lira Rocha expressou um profundo sentimento de alívio e de dever cumprido com a memória de seus filhos após o Tribunal do Júri de Imperatriz (MA) condenar Jordélia Pereira Barbosa a 66 anos, 8 meses e 7 dias de prisão em regime fechado. Mirian, que é a figura central e sobrevivente dessa tragédia ocorrida em abril de 2025, aguardava o desfecho judicial desde o início do processo como a única forma de ver a justiça ser feita. Ela própria chegou a ficar internada em estado grave em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após consumir o chocolate envenenado, conseguindo resistir aos efeitos da substância, enquanto seus dois filhos não sobreviveram.

A dor de Mirian é marcada pela perda brutal de Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e Evillyn Fernanda Rocha Silva, de 13 anos. A mãe relembrou com carinho que os filhos eram duas crianças cheias de vida, repletas de sonhos e projetos que acabaram interrompidos de forma cruel por um doce contaminado com "chumbinho", um pesticida altamente tóxico utilizado clandestinamente. Para ela, a decisão do juiz de determinar o cumprimento imediato da pena e negar à ré o direito de recorrer em liberdade traz o acalento necessário para honrar o nome das crianças e punir a crueldade do ato.

O crime que alvejou a vida de Mirian foi meticulosamente premeditado e motivado por ciúmes e vingança, uma vez que a criminosa era ex-namorada do então companheiro da dona de casa. Jordélia viajou de Santa Inês a Imperatriz, hospedou-se usando um nome falso e contratou um motoboy para entregar o ovo de Páscoa na residência de Mirian acompanhado de um bilhete cínico que dizia: “Com amor para Mirian Lira. Feliz Páscoa!!!”. A farsa foi desfeita pelas investigações da Polícia Civil, que encontraram perucas, restos de chocolate em bolsas térmicas e passagens de ônibus com a acusada no momento de sua prisão.

Durante o julgamento, os jurados reconheceram a tentativa de homicídio qualificado contra Mirian por motivo torpe, uso de veneno e dissimulação, ressaltando que a sua morte só não aconteceu porque ela recebeu atendimento médico de forma rápida. Além da sentença de reclusão da agressora, a Justiça fixou uma indenização por danos morais no valor mínimo de 100 salários mínimos exclusivamente para Mirian, além de outros 400 salários mínimos que ela deverá receber em conjunto com o pai das crianças. Embora a resposta do poder público traga uma sensação de encerramento jurídico, Mirian ainda enfrenta o doloroso desafio de tentar recomeçar a vida lidando diariamente com o vazio deixado pela perda de seus dois filhos.