A Câmara Municipal de Teresina realizou uma audiência pública para discutir a saúde mental da rede de apoio às pessoas com deficiência e Transtorno do Espectro Autista (TEA). O encontro, proposto pelo vereador Venâncio Cardoso (MDB), teve como foco principal o suporte psicológico e a prevenção ao suicídio entre mães, pais e cuidadores, que enfrentam uma severa sobrecarga emocional decorrente da rotina ininterrupta e exaustiva de cuidados diários.
O debate foi motivado pelos relatos frequentes de sofrimento emocional colhidos pela Associação de Amigos dos Autistas do Piauí (AMA Piauí), entidade que atualmente atende 252 pessoas com autismo e acompanha suas famílias. A presidente da associação, Soraia Martins, destacou que muitas mães enfrentam quadros graves de depressão, ansiedade e esgotamento profundo. Essa realidade se torna ainda mais crítica quando os filhos atingem a fase adulta, momento em que a escassez de espaços, terapias e atendimentos adequados para essa faixa etária agrava a sensação de desamparo, levando algumas cuidadoras a abrirem mão de suas vidas, carreiras e sonhos, o que muitas vezes resulta em ideação suicida.
A gravidade do cenário foi reiterada pela psicóloga Patrícia Farias, responsável por um projeto de acolhimento terapêutico na AMA Piauí. Segundo a especialista, o estresse crônico gerado pelo cuidado contínuo provoca insônia, ansiedade crônica e depressão severa, com o registro de situações extremas envolvendo tentativas de suicídio e até de homicídio na comunidade. Ela explicou que fortalecer a saúde mental do cuidador principal, que na grande maioria dos casos é a mãe, é indispensável tanto para a qualidade de vida da família quanto para o sucesso das terapias do autista, uma vez que o cuidador exerce um papel fundamental na regulação emocional do indivíduo.
Diante disso, o vereador Venâncio Cardoso defendeu a necessidade urgente de ampliar as políticas públicas para além da pessoa com deficiência, incluindo obrigatoriamente quem cuida dela. O parlamentar sugeriu a criação de ações específicas de suporte psicológico para os pais, aproveitando, por exemplo, o período em que os filhos estão recebendo atendimento especializado. Ao final do encontro, os participantes reforçaram a necessidade imediata de expandir a rede de atendimento para autistas adultos e de instituir programas permanentes de acolhimento psicológico voltados às famílias.