Brasil Infraestrutura
Proposta de nova rota da Transnordestina ameaça papel do Maranhão na logística nacional
Estudo analisa substituição de Porto Franco (MA) por Guaraí (TO) na integração com a Ferrovia Norte-Sul.
19/06/2026 09h35
Por: Alline Portela

O Maranhão pode ficar de fora de uma das etapas consideradas estratégicas da expansão da Ferrovia Transnordestina. Uma proposta da Transnordestina Logística, controlada pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), prevê alterar o traçado original de integração com a Ferrovia Norte-Sul, substituindo Porto Franco (MA) por Guaraí (TO) como novo ponto de ligação.

Pelo projeto inicial, a ferrovia partiria de Eliseu Martins (PI) até Porto Franco, fortalecendo o papel do Maranhão como elo logístico entre o Matopiba e os principais corredores ferroviários do país. A concessionária, no entanto, defende uma rota alternativa pelo Tocantins, alegando menor complexidade fundiária, ambiental e operacional.

A possível mudança reduziria a participação do Maranhão em um empreendimento considerado estratégico para o escoamento de cargas no país. Porto Franco é hoje um dos principais entroncamentos ferroviários do estado e integra a Ferrovia Norte-Sul, conexão fundamental para o transporte de grãos e minérios em direção aos portos do Arco Norte, como o Porto do Itaqui, em São Luís.

Segundo o ministro dos Transportes, George Santoro, a proposta já foi recebida pelo governo federal e será submetida a estudos de viabilidade técnica e econômica. A análise deve comparar custos, impactos e ganhos logísticos das duas alternativas antes de qualquer decisão.

A eventual retirada do trecho maranhense ocorre em um momento de expansão da infraestrutura logística do estado, que ampliou sua relevância no escoamento da produção agrícola do Matopiba e do Centro-Oeste. O Porto do Itaqui e a integração com a Ferrovia Norte-Sul e a Estrada de Ferro Carajás reforçaram esse papel nos últimos anos.

Atualmente, a Transnordestina tem cerca de 81% das obras concluídas no trecho entre Eliseu Martins (PI) e o Porto de Pecém (CE). O governo federal também mantém o plano de concluir o ramal entre Salgueiro (PE) e o Porto de Suape (PE), com recursos públicos.

A definição sobre a ligação com a Ferrovia Norte-Sul deve ocorrer após a conclusão dos estudos. Até lá, permanece indefinido se o Maranhão seguirá no traçado da nova integração ferroviária ou se perderá espaço para a alternativa defendida pela concessionária.