O Ministério Público do Ceará (MPCE) já conduz, sob sigilo, investigações sobre possíveis casos de interferência de facções criminosas nas eleições de 2026. A informação foi obtida por fontes ligadas ao órgão e reacende o debate sobre a influência de grupos criminosos no processo eleitoral cearense.
Parte das apurações ocorre dentro de investigações mais amplas de combate ao crime organizado. Quando surgem indícios de irregularidades eleitorais, os casos precisam ser desmembrados e encaminhados à Justiça Eleitoral. Como o pleito deste ano envolve eleições gerais, o MPCE deve acionar o Ministério Público Federal (MPF) sempre que houver elementos que justifiquem a abertura de procedimentos na esfera eleitoral.
As investigações ocorrem em um cenário marcado pelos desdobramentos das eleições municipais de 2024. Segundo apuração, ainda tramitam ações ajuizadas por promotores em pelo menos seis municípios cearenses.
O caso de maior repercussão ocorreu em Santa Quitéria, onde a interferência de uma facção criminosa resultou na cassação do prefeito José Braga Barrozo, o Braguinha (PSB), e do vice-prefeito Gardel Padeiro (PP).
A decisão foi mantida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que reconheceu abuso de poder político e econômico e tornou ambos inelegíveis por oito anos.
A acusação apontou o uso da estrutura de uma organização criminosa para intimidar eleitores e até servidores da Justiça Eleitoral durante a campanha.
O episódio se tornou referência nacional e passou a integrar a discussão jurídica sobre a participação de facções no processo eleitoral.
Entre as estratégias adotadas pela Justiça Eleitoral estão o impedimento do registro de candidaturas ligadas a organizações criminosas e a cassação de mandatos obtidos com apoio ou influência desses grupos.
Em âmbito nacional, o Ministério Público Federal intensificou o monitoramento do tema. Neste mês, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, reuniu procuradores regionais eleitorais e defendeu atuação rigorosa para impedir a infiltração do crime organizado nas eleições.
A Procuradoria-Geral Eleitoral também criou um grupo de trabalho para apoiar investigações e fortalecer a troca de informações entre promotores, Gaecos e setores de inteligência dos Ministérios Públicos.