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Por que o Dia da Imprensa mudou de data no Brasil?
Celebrada neste dia 1º de junho, a data homenageia o primeiro jornal impresso do país e acende o alerta sobre os perigos da autocensura nas democracias modernas.
01/06/2026 11h25
Por: Alline Portela

Mais do que um canal de transmissão de informações, a imprensa é o oxigênio das sociedades industrializadas e tecnológicas. Composta por jornais, revistas, emissoras de rádio e canais de televisão, a atividade jornalística tem o dever de se pautar pela ética e pela isenção. É por isso que, em qualquer parte do mundo, defender a liberdade de expressão não é uma escolha, mas uma obrigação democrática.

O impacto desse trabalho é tão profundo que o setor ganhou o apelido de "Quarto Poder", uma referência direta e informal aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Até o ano de 1999, o Dia da Imprensa no Brasil era celebrado em 10 de setembro. A data homenageava a Gazeta do Rio de Janeiro, que começou a circular em 1808 como o periódico oficial da Corte portuguesa recém-chegada ao país.

No entanto, a história foi corrigida pela Lei n.º 9.831/1999. A legislação mudou a comemoração para o dia 1º de junho para fazer justiça ao Correio Braziliense, fundado por Hipólito José da Costa.

Embora operasse de forma clandestina, o Correio começou a circular três meses antes do jornal da Corte, também em 1808, sendo o verdadeiro pioneiro da nossa imprensa.

A relevância da imprensa explica por que ela é o primeiro alvo em regimes autoritários. Historicamente, a primeira medida de uma ditadura é calar os veículos de comunicação por meio da censura explícita ou do fechamento de empresas jornalísticas.

O risco invisível: Se nas ditaduras o silenciamento é imposto pela força, nas democracias o perigo é velado e atende pelo nome de autocensura.

Atualmente, o maior desafio de um veículo de comunicação é resistir às pressões de bastidores. O receio de perder o apoio ou sofrer retaliações de grandes grupos econômicos e políticos faz com que, muitas vezes, reportagens de interesse público sejam engavetadas — um sintoma de que a vigilância pela liberdade de imprensa deve ser diária.