A Prefeitura de Fortaleza deu o primeiro passo para uma grande intervenção de mobilidade urbana no bairro José Bonifácio. Foi publicada a licitação para a escolha da empresa que ficará responsável pelo projeto e pela construção de um novo túnel no cruzamento das avenidas Domingos Olímpio e Aguanambi. O valor máximo previsto para o pacote de obras é de aproximadamente R$ 43,2 milhões.
O objetivo principal do projeto é solucionar o histórico gargalo de trânsito em um ponto que conecta os fluxos Norte-Sul e Leste-Oeste da capital cearense. Conforme o edital, a Avenida Aguanambi permanecerá em nível, enquanto o fluxo da Avenida Domingos Olímpio passará pela nova passagem subterrânea.
A área total de intervenção estimada é de aproximadamente 23,8 mil m². Embora o comprimento exato do túnel ainda vá ser definido pelo projeto executivo, o edital antecipa que a estrutura terá um vão livre médio inferior de cerca de 5,5 metros de altura.
Além da escavação da passagem subterrânea, o contrato prevê uma série de obras complementares na região:
Sistemas de drenagem para evitar alagamentos;
Nova pavimentação e sinalização viária;
Ajustes nas redes de água e energia elétrica;
Urbanização do entorno, com foco em meios de transporte sustentáveis.
Impacto no trânsito: A gestão municipal confirmou que, durante o período de execução dos trabalhos, haverá a necessidade de desvios de tráfego, sinalização provisória e mudanças temporárias na circulação local.
Os recursos para a construção do túnel fazem parte de uma operação de crédito internacional junto ao Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), que recebeu o aval da Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex) do Ministério do Planejamento ainda em março de 2024.
A abertura das propostas das empresas interessadas está marcada para o dia 20 de agosto de 2026, às 8h, em sessão virtual realizada pelo sistema do governo federal.
Diferente de concorrências tradicionais que avaliam apenas o menor preço, a Prefeitura adotará o critério de técnica e preço. A avaliação técnica terá peso de 70% na nota final, enquanto o custo da proposta influenciará em 30%. A empresa vencedora assumirá a responsabilidade integral, desde os estudos de engenharia até a entrega da obra.
O Estudo Técnico Preliminar (ETP) anexo ao edital aponta que o cruzamento opera atualmente em nível severo de saturação. Por estar localizado em uma zona de forte adensamento urbano — cercada por hospitais, escolas e comércio —, o trecho registra longos tempos de espera nos semáforos e alto risco de acidentes devido a conversões e travessias complexas.
Com a separação dos fluxos de tráfego, a prefeitura prevê:
Fluxo contínuo na Avenida Aguanambi e redução de tempos semafóricos;
Aumento da eficiência do corredor de ônibus (BRT), reduzindo os atrasos no transporte coletivo;
Proteção da mobilidade ativa, com a integração de ciclovias e faixas de pedestres qualificadas;
Menor impacto paisagístico em superfície se comparado a viadutos.
As projeções digitais em 3D do projeto urbanístico já mostram a reconfiguração da área, mantendo a arborização e destacando as faixas exclusivas para ônibus e ciclistas na superfície, enquanto o tráfego pesado flui pelo subsolo.