O cruzamento entre a fiscalização do dinheiro público e a segurança de profissionais de imprensa vive um capítulo crítico no interior do Maranhão. Uma jornalista virou alvo de uma suposta campanha de difamação e intimidação digital logo após revelar indícios de corrupção na gestão de resíduos sólidos em Amarante do Maranhão. O caso, que já está sob investigação oficial do Ministério Público (MP-MA), expõe a vulnerabilidade de comunicadores que atuam no jornalismo investigativo local.
O estopim para as retaliações foi a confirmação de que as denúncias publicadas pela comunicadora conhecida como Angra, em suas redes sociais, tinham fundamento jurídico. O Ministério Público do Maranhão confirmou a abertura do Procedimento Preparatório nº 000233-029/2026, instaurado em 14 de abril de 2026.
A Promotoria investiga duas irregularidades graves na prestação do serviço essencial em Amarante:
Contratação Fantasma: A suspeita de que a coleta de lixo opere sem contrato regular, burlando as leis de licitação.
Crise Sanitária: O uso de caminhões precários e inadequados, que espalham detritos e ameaçam a saúde pública da população.
O caso de Amarante alerta para a utilização de ferramentas digitais e perfis falsos para assassinar a reputação de jornalistas é uma estratégia conhecida para abafar investigações legítimas sobre o uso do dinheiro público.
Enquanto o Ministério Público colhe provas sobre o esquema de coleta de lixo na prefeitura, autoridades de segurança digital devem ser acionadas para identificar os IPs e os números telefônicos responsáveis pela criação dos perfis falsos e pela distribuição dos vídeos apócrifos contra a jornalista.
Até o momento, os responsáveis pela comunicação do município de Amarante do Maranhão não se manifestaram sobre o teor das investigações do lixo ou sobre os ataques direcionados à profissional de imprensa.