A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) nesta quinta-feira (21), durante a Operação Vérnix. A ação tem como objetivo desarticular um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e ocultação de bens ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação também cumpre mandados contra a cúpula da facção, incluindo o líder Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e seus familiares.
De acordo com as investigações, o grupo utilizava uma transportadora de cargas de fachada, localizada em Presidente Venceslau, no interior paulista, para movimentar recursos ilícitos. A Justiça determinou o bloqueio total de R$ 357,5 milhões em ativos financeiros dos investigados e o sequestro de 39 veículos de luxo. Desse montante, R$ 27 milhões pertencem a Deolane Bezerra, que teve as contas bloqueadas.
Repasses suspeitos e prisão
A quebra de sigilo bancário revelou que, entre 2018 e 2021, Deolane recebeu mais de R$ 1 milhão da transportadora ligada à facção. Os valores eram depositados de forma fracionada — tática conhecida como smurfing, usada para burlar os mecanismos de controle do Coaf — e não possuíam justificativa de prestação de serviços.
A influenciadora, que passou as últimas semanas na Itália, chegou a ter o nome incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol. Ela foi detida pelas autoridades ao desembarcar no Brasil. Além da prisão, os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na mansão da advogada, em Barueri (SP), e em endereços de outros operadores do esquema.