Política Sem energia
Prefeitura de Boa Hora fica sem energia por falta de pagamento
Prédio administrativo funciona à base de gerador enquanto contratação de show de duzentos e trinta mil reais gera polêmica
20/05/2026 20h28
Por: Adilson Carlos

A gestão do prefeito Dominguinhos voltou a ser o centro de intensas críticas no município de Boa Hora após a sede da Prefeitura Municipal permanecer completamente sem o fornecimento regular de energia elétrica desde o dia sete de abril. Esta lamentável situação reflete um problema recorrente na atual gestão, configurando-se como a segunda vez, em um período de apenas quinze meses de administração, que o abastecimento elétrico é interrompido no principal prédio administrativo do poder executivo municipal.

Para não paralisar totalmente as atividades burocráticas, a Prefeitura está funcionando provisoriamente por meio de um motor gerador de energia, uma condição improvisada que tem chamado negativamente a atenção e despertado a indignação da população local.

A repercussão em torno do descaso administrativo aumentou consideravelmente nos últimos dias após a divulgação oficial da contratação de um show da cantora Fernandinha, fechado pelo expressivo valor de duzentos e trinta mil reais com recursos do município. O contraste entre a falta de manutenção básica nos prédios públicos e os altos gastos com eventos festivos vem gerando debates calorosos e cobranças por transparência nas redes sociais.

Além disso, o episódio ganhou contornos estaduais e repercutiu amplamente nos principais veículos de comunicação da capital piauiense, colocando a eficiência da atual gestão sob forte questionamento público.

Em abril de 2026 o Ministério Público do Estado do Piauí instaurou Inquérito Civil para apurar possíveis atos de improbidade administrativa envolvendo suposta prática de nepotismo na Prefeitura de Boa Hora, administrada pelo prefeito Domingos Coelho de Resende, mais conhecido como Professor Dominguinhos.

A investigação teve início após denúncia que aponta que agentes públicos estariam utilizando cargos comissionados e funções gratificadas para favorecer familiares dentro da estrutura administrativa do município, em possível afronta aos princípios constitucionais da administração pública.

Segundo a portaria assinada pelo promotor de Justiça Glécio Paulino Setúbal da Cunha e Silvahá indícios de nomeação de parentes de agentes políticos em cargos de confiança, situação que pode violar diretamente a Súmula Vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal, que proíbe esse tipo de prática no serviço público.