Economia Mercado
Desaceleração da “prévia do PIB” supera previsão do mercado
Para analistas, atividade mais fraca favorece eventual queda dos juros, mas previsões de alta da inflação atuam no sentido contrário
18/05/2026 12h10
Por: Vanilson Brito

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia oficial do Produto Interno Bruto (PIB) do país, registrou um recuo de 0,67% no mês de março em comparação com o mês anterior. O recuo do indicador foi puxado pelo desempenho negativo em três das principais frentes produtivas nacionais, apresentando variações de -0,2% na agropecuária, -0,2% no setor da indústria e um decréscimo mais expressivo de -0,8% no setor de serviços.

A queda do indicador consolidado surpreendeu o mercado financeiro, uma vez que superou as projeções de baixa estipuladas por analistas e corretoras para o período, que estimavam inicialmente uma retração contida entre 0,25% e 0,40%.

De acordo com avaliações de analistas financeiros da Associação Nacional das Corretoras (Ancord), a desaceleração geral foi severamente influenciada pelo segmento de serviços, que detém um peso equivalente a cerca de 70% de toda a atividade econômica brasileira. Apesar do resultado negativo isolado no mês de março, o balanço trimestral acumulado revelou que a economia nacional apresentou um avanço de pouco mais de 1%, sinalizando que o Brasil mantém uma trajetória de crescimento econômico, embora o ritmo dessa expansão se apresente menos intenso nos períodos recentes.

Diante disso, analistas da Genial Investimentos ponderaram que a perda de fôlego se mostrou disseminada entre os segmentos do IBC-Br, divergindo ligeiramente de outros dados setoriais mistos do IBGE e sugerindo um cenário de arrefecimento gradual nos próximos trimestres.

O resultado do indicador econômico trouxe leituras ambíguas e complexas para a condução da política monetária nacional. Por um lado, uma atividade econômica mais fraca e desaquecida poderia aliviar as pressões de consumo e abrir um espaço oportuno para cortes futuros nas taxas de juros por parte das autoridades financeiras.

Por outro lado, o cenário é contrabalançado pelas projeções do Boletim Focus, que trouxe uma deterioração nas expectativas inflacionárias, elevando a projeção da taxa Selic para 13,25% no fechamento do ano corrente. Essa dualidade demonstra que o mercado mantém desconfiança em relação à convergência da inflação para as metas estabelecidas, forçando o Banco Central a manter uma postura de cautela e a sinalizar a permanência de juros elevados por um período prolongado.