Pela primeira vez após sofrer uma brutal agressão que comoveu a população, a jovem Ana Clara Antero de Oliveira, de 21 anos, quebrou o silêncio e concedeu declarações públicas a respeito do crime que marcou sua vida. Internada no Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza, a cearense se definiu como um testemunho vivo de superação e manifestou o desejo firme de engajar-se ativamente no combate ao feminicídio.
A jovem relatou que, no passado, escondeu por diversas vezes os episódios de agressão física e psicológica que sofria, instando agora outras mulheres a não se calarem diante dos sinais de relacionamentos abusivos. O ataque aconteceu no dia 1º de maio de 2026, no município de Quixeramobim, localizado no Sertão Central do Ceará, após uma discussão conjugal que acabou sendo registrada por câmeras de segurança na rua da residência.
A agressão foi cometida com o uso de uma foice e resultou na amputação completa de uma de suas mãos e na semi-amputação do outro membro superior. Graças à agilidade das equipes de saúde do IJF, Ana Clara foi submetida a uma complexa cirurgia de emergência voltada ao reimplante de seus membros, procedimento que durou cerca de 12 horas e envolveu mais de 15 profissionais especializados.
O reimplante foi bem-sucedido e, após passar sete dias sob monitoramento contínuo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a paciente apresentou boa resposta clínica e retorno do fluxo sanguíneo nos tecidos afetados, sendo encaminhada posteriormente para o setor de enfermaria do hospital.
Enquanto ela se recupera das lesões e reaprende atividades cotidianas, a Polícia Civil do Ceará e o Ministério Público deram prosseguimento às providências judiciais.
O ex-companheiro da vítima, Ronivaldo Rocha dos Santos, de 40 anos, e o irmão dele, Evangelista Rocha dos Santos, de 34 anos, foram presos em flagrante e indiciados formalmente por tentativa de feminicídio.