O município de Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís, vive uma crise institucional após o prefeito Fred Campos (PSB) cancelar o convênio de estágio com o curso de medicina de uma universidade particular. A decisão ocorreu na última terça-feira (12), motivada por um vídeo publicado nas redes sociais por um estudante da instituição. Na gravação, o jovem filmou seu tênis de luxo e a fachada da unidade de saúde onde atuaria, utilizando uma legenda que menosprezava o local de trabalho ao comparar a origem do calçado em Zurique com o atendimento a pacientes no que chamou de "c# do Maranhão", acompanhado de um áudio meme em tom de desabafo.
Em resposta imediata, o prefeito divulgou um vídeo classificando a atitude como um ataque à dignidade do município e um reflexo da falta de humanidade e "trato social" na formação do futuro médico. Além de suspender a entrada de todos os estagiários da universidade na rede pública municipal, o gestor anunciou que encaminhará uma representação criminal por injúria qualificada ao Ministério Público e à Delegacia de Polícia. Segundo Campos, o Ceuma só voltará a enviar alunos quando comprovar que eles possuem a qualificação social e ética necessária para conviver em sociedade e cuidar da vida das pessoas.
A universidade particular e os colegas de turma do estudante também se manifestaram de forma crítica. Em nota oficial, a instituição afirmou que não compactua com comportamentos incompatíveis com os princípios de respeito e responsabilidade profissional, garantindo que a conduta do aluno será apurada individualmente através de processo administrativo. A universidade pediu desculpas à população de Paço do Lumiar, mas lamentou que a medida da prefeitura resulte em prejuízo coletivo para outros estudantes que não participaram do episódio. No mesmo sentido, os alunos do 4º período de medicina publicaram uma nota de repúdio, reiterando que a atitude isolada é antiética e não representa os valores da turma.
Por outro lado, a mãe do estudante saiu em defesa do filho, alegando que a publicação foi um erro impulsivo e impensado, sem a intenção de atacar a população ou os profissionais de saúde. Segundo ela, o comentário referia-se, na verdade, às dificuldades logísticas e às más condições das estradas de acesso à região. A família criticou duramente a postura do prefeito, afirmando que a exposição pública feita pelo gestor gerou uma onda de ódio, ameaças e hostilidade que causou sofrimento emocional a todos. A defesa solicitou a retirada imediata das postagens do prefeito, argumentando que um erro isolado de um jovem não deveria ser transformado em uma "destruição pública" de sua vida e de seus familiares.