A gestão da saúde pública no município de Crateús sofreu um importante revés jurídico nesta quinta-feira (07/05). Por determinação da Justiça, atendendo a um pedido do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), foram suspensos imediatamente todos os novos repasses financeiros destinados ao Instituto de Saúde e Inclusão Social (Isis). A entidade havia sido contratada pela Prefeitura para operacionalizar e executar serviços essenciais na rede municipal de saúde.
A intervenção judicial foi provocada por uma ação ajuizada pela 7ª Promotoria de Justiça da comarca. Segundo as investigações do MP, foram constatadas irregularidades graves no procedimento de escolha da organização social. O foco da acusação reside na falta de comprovação da capacidade técnico-operacional do Instituto Isis para gerir um contrato de tamanha complexidade, além de vícios na regularidade de todo o processo de seleção.
O impacto financeiro do contrato é um dos pontos mais alarmantes destacados na denúncia. De acordo com o Ministério Público, o valor anual da contratação foi estimado em R$ 36.142.365,87. No entanto, o risco ao patrimônio público ganha proporções ainda maiores devido às cláusulas de renovação.
O contrato previa a possibilidade de prorrogação por até dez anos. Caso fosse mantido integralmente, o gasto de recursos públicos poderia ultrapassar a marca de R$ 360 milhões.
A decisão de suspender os pagamentos funciona como uma tutela de urgência para resguardar as finanças do município enquanto as suspeitas de ilegalidade são apuradas no mérito da ação. O MPCE sustenta que a manutenção dos repasses, diante das falhas técnicas e operacionais detectadas, representaria um perigo iminente à eficiência dos serviços prestados à população de Crateús.
Até o momento, a prefeitura e o instituto não se pronunciaram oficialmente sobre a suspensão dos repasses. A rede de saúde municipal deverá manter seus serviços, mas agora sob a incerteza jurídica que paira sobre o modelo de gestão compartilhada anteriormente estabelecido.